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Brasil corre contra o tempo para implantar TV Digital

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

21 de maio de 2007 - 07h05
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CW - Você comentou que o principal adversário é o tempo. Você acredita no cumprimento dos prazos estabelecidos pelo governo?
FRANCO - O lançamento dos serviços é em dezembro. A indústria ainda tem inovações para fazer, as radiodifusoras têm investimentos a fazer, tem que capacitar pessoas. As alterações que foram feitas provocaram adaptações que a indústria está tentando atender. Tem pontos difíceis. E temos urgência.

CW - Por quê?
FRANCO - A urgência é uma demanda da sociedade. É a contrapartida que as radiodifusoras têm de dar para a sociedade. Teve demanda do governo para dar porta de inclusão social e digital. É um anseio justo e que se ficar postergando perde espaço no mercado, que é precoce. Queremos conquistar adeptos. Até porque a concorrência hoje não é só da TV com a TV. É da TV com a internet e muito mais. Se não formos rápidos, podemos ter mais dificuldade de introdução da TV Digital. E o governo deu foco a isso, então é prioridade. Temos o dever de cumprir (e agora falo como emissora).

CW - O que as radiodifusoras têm de fazer?
FRANCO - As radiodifusoras têm de construir uma planta digital, mesmo sabendo que o retorno é em longo prazo. As emissoras podiam esperar para colocar. Até porque o sinal digital não tem valor comercial no começo da operação. O retorno é com anúncio e se não tem público não tem retorno (propagandas). Podia colocar a transmissão de baixa potência e só aumentar quando tivesse público. Mas não. O SBT, por exemplo, comprou 15 KW de potência de transmissor. Ou seja, desde o primeiro dia teremos o máximo de qualidade de serviço com retorno financeiro e comercial nulo. Além disso, temos de fazer investimos em treinamento de pessoas, equipamentos. As radiodifusoras estão envolvidas e dedicando recursos à TV Digital.

Acho que estamos no caminho certo, porque as decisões são tomadas em conjunto. No mundo tem Fóruns com 200 sócios. No Brasil lançamos nosso Fórum em novembro e já existem 100 associados. Isso significa que temos centenas de profissionais envolvidos. Depois ainda há grupos de trabalho formados por 30, 40 e 50 pessoas. É diferente do que aconteceu no setor de telecomunicações, quando ninguém questionou se as redes CDMA e GSM eram boas e atendiam as necessidades do País. Foram adotadas sem discussão.

CW - Já que você comentou das operadoras, como é que elas ficam com o advento da TV Digital?
FRANCO - As operadoras são uma questão divertida. Elas estão nos acusando de não discutir. Mas não e verdade. Inclusive se discutiu televisão durante muito tempo como qualquer outro equipamento, computador etc, menos como televisão. Portanto, a mobilidade se soma à TV como ela é. São adicionais. O modelo está estabelecido.

O SBT, por exemplo, é o maior gerador de mensagem de SMS. Atualmente já usamos a planta de telefonia como canal de retorno. A TV Digital vai estimular isso ainda mais. É óbvio que a TV Digital gera ainda mais negócios e tráfego e as operadoras querem parte desse benefício. Mas durante muito tempo se discutiu bobagens. Porque nós lutamos principalmente contra o monopólio. Não dá pra tudo circular na planta de telefonia. Ela pode ser usada como plataforma de serviços, mas só quando for mais eficiente.

O governo também fala que é preciso oferecer um canal de retorno gratuito. Então por que não contar com essa rede de telecom? Discutimos porque as teles gostariam que tivéssemos de usar a plataforma deles. Melhor é usar a plataforma tradicional e ter a de telefonia como opção. Não tem por que um modelo sobrepor o outro. Não dizemos que as empresas de telecomunicações não têm o direito de fazer isso. É preciso definir: por enquanto a rede de telecomunicações de TV móvel são as emissoras. Mas a TV móvel não existe no País como serviço. Para ser, a concessão é suficiente? Ou tem que dar concessão nova? Ou é um novo serviço e deve ser licitado? Se quisermos oferecer TV no equipamento móvel hoje, é possível. Mas sem qualidade. A novidade é fazer com qualidade e também no celular. O fato é que não são eles que vão transmitir.

Acho que nós vamos de qualquer forma gerar recurso para eles porque a TV num equipamento móvel que convida para a interatividade vai despertar interesse. Hoje mesmo a maioria do SMS gerado são pelos programas de televisão. Não tem por que mudar o modelo, apesar de que as operadoras defendiam um modelo restritivo a qualquer modelo de aplicação. Queriam transportar 100% do modelo atual. Simplesmente colocar na rede deles a transmissão de TV. Compartilhar a mesma recepção, mesmos mecanismos de acesso. O problema é que quem tem TV fixa não consegue fazer portabilidade – então seria preciso pagar. O que existe é que TV não é um serviço que possa ter desconto. A TV analógica é totalmente incompatível com a digital. Se não pudesse usar a mesma freqüência, teria de tirar uma do ar e colocar outro. Mas isso obrigaria os consumidores a comprar outro televisor (porque ninguém vive sem TV) e os preços subiriam muito.

A solução foi dar ao radiodifusor um segundo canal e dar o prazo de 10 anos para a população comprar receptores. Se a pessoa está ansiosa, pode comprar no primeiro dia. Se não, pode comprar daqui a 10 anos. Para ela nada muda. Ainda assim nos EUA eles estão dando subsídios para a população porque 10% ainda não comprou receptor. Na Itália o governo ofereceu subsídio desde o primeiro dia. As radiodifusoras vão desde o primeiro dia gastar o dobro de energia e poderiam vender pelo preço que quisessem. Poderia até dizer para indústria que quer uma parte dos lucros de vendas de set up box para compensar as perdas. Mas isso não acontece e não vai acontecer. Por isso eu acho um absurdo as críticas ao governo [dizem que o congresso privilegiou os interesses das radiodifusoras]. Há muita discussão ideológica, porque não vai ter benefício para as radiodifusoras.

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