Publicidade

COMPUTERWORLD - O portal voz do mercado de TI e Comunicação

Telecom

Internet por rede elétrica: a revolução que não chegou a nascer

Especialista afirma que empresas do setor perderam a janela de oportunidade e que o único mercado que restou está em atuações pontuais.

Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD

30 de agosto de 2007 - 07h00
página 1 de 1

É tão rotineiro que não se nota. Nos cabos de transmissão de eletricidade, no alto dos postes e nos túneis subterrâneos, a eletricidade percorre distancias enormes abastecendo todos os cantos do Brasil com energia. Há uma tecnologia, contudo, que pode levar a internet nesta mesma infra-estrutura – que começou a ser instalada no Brasil em 1930 – chamada PLC (Power Line Communication ou internet via rede elétrica).

Leia Mais: "A adoção em massa da internet por rede elétrica é inexorável", defende especialista

Ao contrário da energia elétrica – longa em com freqüência baixa –, o sinal de telecomunicações é muito mais curto e tem uma freqüência altíssima. Na prática, qualquer interrupação no sinal ou falha na rede pode gerar perdas irrecuperáveis. Estas características podem resumir os caminhos da PLC no Brasil. Como o seu sinal, a PLC mostrou-se delicada e frágil para o ambiente de telecomunicações no País, de uma revolução alardeada para uma opção de nicho.

Andre Litmanowicz, sócio da consultoria iCG e ex-presidente da Arthur D. Little, conta que, em 2004, começou a ter reuniões com as empresas do setor para discutir a viabilidade do PLC. Naquele momento, defende, havia uma demanda imensa por acesso à internet, com poucos competidores – sem as empresas de telefonia e de televisão a cabo – e com baixa qualidade de serviço. “Hoje, o mercado é altamente competitivo e definido por preço. O único caminho do PLC atualmente está em aplicações especiais”, acredita. Litmanowicz participou de oito projetos pilotos em distribuidoras de energia e, até hoje, nenhum foi lançado ao mercado.

Um prédio de escritórios que quer economizar com cabos, o Governo que aproveita a instalação elétrica das escolas públicas para garantir acesso à internet ou uma rede de varejo que não pode passar cabeamento em uma estrutura congelada, estes são alguns dos exemplos que, para o especialista, a adoção do PLC faz sentido. “Nestes exemplos, é garantida a escala e o preço pode ser diluído pelo número de usuários. Assim, a tecnologia fica com um custo viável”, comenta.

A idéia de que a internet por rede elétrica pode ser a resposta para a inclusão digital de áreas afastadas ou rurais, muito afastadas dos grandes centros, é enganosa. De acordo com o especialista, o PLC só é possível na chamada ‘última milha’ – do poste ao aparelho – o que reduz a disponibilidade da adoção da tecnologia. “O negócio de energia é escala, assim como comunicação. O PLC só tem preço competitivo com adoção maciça, com muitos consumidores para diluir o custo dos aparelhos”, aponta.

Outros destaques do COMPUTERWORLD:
> Brasil terá acesso à internet por 7,50 reais
> Brasil quer projeto de banda larga pela rede elétrica
> Brasil Telecom promete PLC para setembro
> Cidade do Maranhão vai ter banda larga pela rede elétrica
> Agência Aneel prepara regulamentação de PLC em 2008

Acima de tudo, destaca o especialista, existem outros dilemas maiores para as empresas de energia. Estimativas apontam que o setor perde 5 bilhões de reais por ano com ‘gatos’ e perdas de distribuição, além da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e as suas regulamentações. “Se a empresa falar para o acionista, “vou fazer PLC”, vai ouvir: “primeiro resolve o problema principal da distribuição, dos ‘gatos’ e das perdas durante a distribuição”. Esta é uma questão que precisa ser resolvida”, conclui Andre Litmanowicz.

Opinião do Leitor [1 comentários]

A tecnologia PLC esta nascendo

Devo colocar que a tecnologia PLC é uma tecnologia para Last Mile, basta vermos que a geração 2 (atual) tem capacidade de transmissão de 200Mbps. O Backhaul é feito por fibra ou outra tecnologia levando o sinal em altas taxas até os transformadores e ai o PLC distribui a banda pela rede elétrica de baixa tensão.
A questão das distribuidoras resolverem seus problemas de perdas e "gatos" esbarra exatamente na ausência de uma rede de telecomunicações que lhe permita implantar o Smart Grid que é a automação e controle da rede elétrica. As distribuidoras já utilizam hoje em larga escala medidores eletrônicos que se comunicam por PLC (AMR - Automatic Metering Reading).
Ronicesar - 31 Ago 2007, 14h07
Publicidade
Publicidade
As mais lidas

COBERTURA ESPECIAL

CWCONNECT - A primeira rede social para profissionais de TI e Telecom

Publicidade
coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld