Telecom
Abinee diz que padrão americano de rádio digital prejudica indústria
Ao final da audiência pública realizada em Brasília, participantes argumentaram sobre os pontos negativos e positivos de cada um dos padrões que concorrem no Brasil.
Por COMPUTERWORLD
Compartilhe:
A indústria nacional de aparelhos de transmissão de rádio, se não tiver acesso à tecnologia estrangeira que será usada nas transmissões digitais, pode ter prejuízo e até falir, avalia o representante da Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee), Rogério de Souza Corrêa. Independente do padrão escolhido, ele destaca que o Brasil deve firmar acordos para transferência de tecnologia.
"Não vejo a intenção dos americanos em transferir tecnologia. Essa questão [da transferência de conhecimento] precisa ser negociada inclusive para que os preços dos produtos atendam à realidade do país”, disse Corrêa. “Se isso não acontecer, estamos fadados a extinção”. Atualmente, 90% de aparelhos analógicos para recepção e transmissão de ondas de rádio são brasileiros.
O alerta foi feito nesta terça-feira (11/09) durante audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir os testes com os modelos digitais de rádio, o norte-americano In Band on Chanel (Iboc) e o europeu, Digital Radio Mondiale (DRM). Na reunião, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) disse que ainda não pode apontar um padrão para ser seguido pelo país.
O Iboc é de tecnologia proprietária e não pode ser usado pelos fabricantes brasileiros sem prévia autorização dos donos, nesse caso a multinacional Ibiquity Digital Corporation. Ou seja, para ser modificado ou produzido no Brasil precisaria pagar licenças. Já o modelo DRM é aberto e permite, por exemplo, que a indústria nacional destrinche seu modo de funcionamento.
Outro problema vem sido apontado pela Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraco) e outras organizações. O consultor jurídico da associação, Joaquim Carlos Carvalho, disse que o custo dos aparelhos digitais e a licença pode tirar do mercado pequenas emissoras, que não terão dinheiro para migrar para o novo sistema.
Sem acesso à tecnologia moderna, as rádios analógicas podem perder a publicidade e acabar extintas. O ministro Hélio Costa, entretanto, garantiu que haverá financiamento público para a transição. Carvalho estima que um aparelho para modular o sinal digital pode custar 100 mil reais.
Outros destaques do COMPUTERWORLD:
> Faltam profissionais especializados em TV Digital
> Conheça algumas opções de cursos de TV Digital
> Ministro promete conversor de TV digital a R$ 180
> Brasil corre contra o tempo para implantar TV Digital
Durante a audiência de ontem, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) propôs que o governo crie um fundo público para financiar a transição das pequenas emissoras de rádio como forma de garantir justiça social e diversidade da programação radiofônica.
O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), ao participar da reunião, disse que a questão deve ser retomada nas discussões da Pré-Conferência Nacional de Telecomunicações na próxima semana. Na ocasião, o Ministério das Comunicações deve apresentar medidas para evitar esses problemas.
Conheça os 100 melhores CIOs do país
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar
A elite do RH de TI e Telecom no Brasil
Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.
Veja o Especial


