Telecom
Estudo: concessionárias impedem a concorrência investindo no que não é vital
Pesquisa mostra que operadoras oferecem serviços por diferentes meios, impedem a concorrência e não investem em fibra, que baixaria os custos e seria a real convergência.
Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD
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O atual cenário das telecomunicações no Brasil revela que os preços oferecidos ainda são bastante altos, o acesso a eles ainda é baixo e as estratégias das operadoras oferecem risco à concorrência devido à forma como concentram seus serviços. A conclusão é da Pezco Pesquisa e consultoria, que realizou estudo sobre o setor por encomenda da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp).
O responsável pelo estudo, Frederico Araujo Turolla, diz que as operadoras de telefonia fixa se voltam para a casa das pessoas oferecendo serviços por diferentes meios, o que prejudica a concorrência a que estão submetidas e promove a criação de um cenário de dominação. “O efeito colateral disso é que há um menor incentivo a investimentos em redes de fibra de alta capacidade, que é vital para o crescimento do País por ser melhor, mais efetiva e permitir mais velocidade”, afirma.
Segundo Turolla, o argumento mais comum que as concessionárias usam para isso é a convergência. “Isso virou o que chamamos de benção concorrencial e se tornou chavão para falar de estratégias que nem convergência são, pois só significam uma conta e um fornecedor e não uso de uma só rede”, destaca.
Um exemplo disso é o Triple Play, que significa usar uma rede para prestação de três serviços, o que dilui o custo da construção da infra-estrutura porque viabiliza três ofertas. “No Brasil, no entanto, as empresas fazem isso em meios diferentes, o que não faz cair o preço para o consumidor e ainda reduz a concorrência”, alerta.
Por isso, o executivo sugere que passe a se falar em convergência tecnológica, o que esgotaria o atual modelo de oferecimento em pacotes de serviços que vão oferecidos por diversos meios. “Convergência que usa fibra, satélite e MMDS não é convergência”, ressalta.
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A tendência, portanto, é que haja menos redes, mas com capacidades mais altas, apesar de que para a mobilidade é importante mesclar algumas redes. “Claramente por enquanto as concessionárias no Brasil não constroem uma rede de fibra por uma questão estratégica comercial, apesar de isso ser indesejável para o País”, afirma.
As principais propostas que a Telcomp vai apresentar ao governo, baseada no estudo, é a de que a Agencia Nacional de Telecomunicações (Anatel) propicie a abertura e novos acessos as redes e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que julgue o grande conjunto de Atos de Concentração, para diminuir as tendências apresentadas.
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