Telecom
Inovação é a chave para o resgate da Motorola
Depois de um ano com números decepcionantes e reestruturação que culminou no corte de mais de 4 mil funcionários, empresa aposta em novas tecnologias para se reerguer.
Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD*
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O ano de 2007 não está sendo dos melhores para a Motorola. A empresa está passando por um período de reestruturação, depois de vender diversas divisões e experimentar uma forte queda em seu faturamento.
Se no último trimestre de 2005 a empresa teve receita de 1,2 bilhão de dólares, esse valor caiu para 624 milhões de dólares no mesmo período de 2006. Para piorar, no primeiro trimestre deste ano a companhia reportou uma perda de 366 milhões de dólares, valor significativamente menor do que o lucro de 849 milhões de dólares no mesmo período de 2006.
As mudanças já estão acontecendo. O antigo CFO, David Devonshire, saiu da empresa em março para dar lugar a Thomas J. Meredith, que já foi do conselho executivo da Dell. Além disso, a companhia anunciou um programa de reestruturação vai cortar nada menos do que 4,1 mil empregos, movimento estimado em 221 milhões de dólares de pagamentos em indenizações, mas que tem a previsão de gerar economias na ordem de 600 milhões de dólares já em 2008.
Além dos resultados financeiros, a reestruturação trouxe novamente o foco da companhia para a inovação, defendeu Gregory Brown, presidente e COO da empresa, durante breve coletiva de imprensa no evento Motorola Research Experience. “Inovar é fundamental para continuar no mercado. E não falo de ter apenas um único hit, mas uma trajetória consistente e destacada”, avisa.
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É interessante imaginar o que a diretriz inovação representa para a Motorola, já que foi ela que – no longínquo ano de 1996 – lançou o Startac, um celular dobrável e com design inimaginável para uma época de telefones que lembravam tijolos, assim como – já em 2005 – a empresa apresentou o V3, criando novamente paradigmas diferentes sobre aparelhos finos, elegantes e com desenho diferenciado, atingindo em cheio o mercado high-end.
E isso apenas para citar as inovações em aparelhos celulares, sem falar do papel em mobilidade para casas, como os set-up-boxes para o mercado norte-americano, ou até no desenvolvimento, atuação e lobby pelas soluções de WiMax.
Inovação cativa
Para mostrar que esse investimento em inovação é contínuo, a empresa realizou recentemente o primeiro Motorola Research Day. Padmasree Warrior, CTO da companhia, já na abertura do evento, resume os números do evento: 50 demonstrações técnicas com profissionais de todas as partes do mundo da corporação.
“Não são conceitos de laboratórios que vamos mostrar, mas produtos que vão entrar no mercado no futuro”, garante. De fato, ao caminhar e ouvir as diversas apresentações técnicas, o visitante entra em contato com profissionais comunicando-se em inglês com sotaques de vários cantos do mundo, da China a Bélgica, da Alemanha a Austrália, e muitos oriundos da Índia.
É proibido tirar fotografias no centro de inovação da Motorola, um amplo salão de dois andares que fica na pequena Schaumburg, Illinois, distante pouco menos de 70 quilômetros de Chicago.
Dentro do centro, o evento foi organizado em grandes quiosques com os seguintes temas: Conectando os desconectados, Levando o conteúdo ao limite, Redes unificadas, Conectando-se de qualquer maneira em qualquer lugar e Aparelhos obrigatórios.
O encontro apresentava ainda uma série de outras novidades tecnológicas ainda sem datas definidas para chegada ao mercado, todas devidamente protegidas por acordos de confidencialidade.
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