Telecom
Banda larga pela rede elétrica: novo cenário para as telecomunicações
Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD
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Para o especialista da Copel, essa possibilidade de atuação só nasceu porque as operadoras tradicionais do setor de telecomunicações se acostumaram com o “monopólio do mercado”, deixando para trás a expansão do acesso e prejudicando o País no desafio da inclusão digital.
“Quando há uma demanda não atendida pelos fornecedores tradicionais, o mercado abre espaço para novos atores. É um princípio básico do capitalismo que estamos vendo agora no Brasil”, argumenta.
Moises Ribeiro, um dos responsáveis pela consultoria sobre PLC prestada à Aneel no início de 2007, concorda. O professor de engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora acredita que o PLC é viável apenas se o custo não for repassado para o consumidor final.
“A rede A2A tem um caminho livre pela frente onde as empresas de telefonia não penetram e, mesmo nas capitais, ela pode ser a solução para atender às classes C e D”, diz.
O especialista afirma que as operadoras de telefonia não têm interesse em investir nesses segmentos pelo lento retorno no investimento. “As concessionárias de energia já têm a rede instalada, então não vai ser difícil oferecer um pacote fechado de energia e de banda larga. Se eu fosse executivo de telecomunicações, estaria preocupado.”
Na pequena cidade gaúcha de Candiota, com menos de 10 mil habitantes, já há uma experiência da rede multisserviço que combina a infra-estrutura de fibra ótica e da rede elétrica. “Estamos tentando viabilizar o PLC, mandando o sinal de internet em cabo ótico e chegando aos pontos de acesso via rede de baixa tensão. Os investimentos para o projeto estão estimados em 180 mil reais”, conta Paulo Porto, coordenador de TI do grupo CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul).
O que falta?
Se a mudança é tão drástica e novos projetos-piloto estão acontecendo, o que falta para o mercado de PLC nascer de fato no Brasil? “Falta um projeto de grande porte no País. Para quebrar o paradigma e desmistificar os problemas das primeiras iniciativas que usaram tecnologia pouco desenvolvida. Quando ele acontecer, todas as concessionárias do setor vão correr atrás”, analisa Wanderley Maia Filho, gerente de engenharia da Infovias – subsidiária de telecom da Cemig.
Maia Filho ressalta que, até agora, os projetos não tinham um embasamento teórico das concessionárias e nem apoio dos fornecedores. “As iniciativas até hoje foram empíricas, sem análise prévia, sem entender onde entrariam os repetidores, qual é o sinal necessário na tomada etc. Sabemos que os avanços cuidaram dos problemas com interferências, mas os fabricantes precisam oferecer treinamento”, exige o gerente de engenharia da Cemig.
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