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Entrevista: Nokia se reinventa para desafiar Google e Apple

O novo Chief Technology Officer da fabricante de celulares revela sua opinião de para onde caminha o mercado de comunicação e internet no mundo.

Por Peter Moon, especial para o COMPUTERWORLD*

06 de fevereiro de 2008 - 16h29
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Bob Iannucci tem um currículo imponente e uma visão definida de futuro. Doutor em computação pelo MIT, ele trabalha na indústria de TI há três décadas. Passou pela IBM nos velhos tempos do mainframe, pela Digital com seus minis e foi vice-presidente de pesquisas da Compaq quando esta reinava na produção de PCs.

Entre 2004 e 2007, Iannucci dirigiu desde Palo Alto, no centro do Vale do Silício, a rede de laboratórios do Nokia Research Center, com seus 850 pesquisadores espalhados entre os EUA, o Reino Unido, China, Alemanha e – é claro – a Finlândia. Mas em 2008 tudo mudou. Este americano acaba de se tornar o Chief Technology Officer da gigante finlandesa dos celulares. Mais além, ele se tornou o primeiro membro do conselho na história da empresa que não é finlandês nem fica baseado na sede da empresa, em Helsique.

Esta entrevista exclusiva foi concedida em dezembro em Amsterdã, no dia em que foi anunciada a promoção de Iannucci. Logo após, ele forneceu em uma palestra algumas pistas dos objetivos que pretende perseguir.

Em primeiro lugar, Iannucci acredita que ainda está para surgir o sistema operacional padrão para os celulares e dispositivos móveis - em outras palavras, o Windows do mundo wireless.

Mas a principal batalha para definir quem irá controlar a nova era da computação não será travada dentro dos chips dos computadores e celulares. Vencerá quem oferecer o melhor leque de aplicativos e serviços. Em outras palavras, a Nokia está se reinventando para desafiar o Google e a Apple em seu próprio território. Conseguirá? Leia mais abaixo:

COMPUTERWORLD – A indústria de TI costuma trabalhar pensando num horizonte de 10 anos no futuro. Como é com a Nokia?
Bob Iannucci
– No Nokia Research Center trabalhamos nossa estratégia dentro de um horizonte de sete anos e tentamos nos ajustar à estratégia e aos desafios da Nokia.

CW – E o quê você enxerga daqui sete anos?
Iannucci
– É muito difícil fazer qualquer previsão de negócios num prazo longo como esse. O que acredito que irá acontecer é que os celulares se tornarão cada vez mais invisíveis. A comunicação será onipresente. Não iremos mais nos preocupar com a velocidade da banda larga, porque a banda larga será farta e barata. Provavelmente a maior mudança que veremos será a transferência da importância dos dispositivos (celulares e computadores) para os serviços e o software. Esta é uma das principais razões pelas quais estamos reorganizando a companhia.

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A minha formação pessoal é aquela do mundo da computação. Trabalhei para a IBM e para a Digital, e tento mostrar para as pessoas que este é um filme que estou assistindo pela quarta ou quinta vez. Eu vi o mesmo acontecer com os mainframes quando a importância migrou do hardware para o software e para os serviços. O que acontece hoje é exatamente o mesmo, está ocorrendo com a mobilidade o mesmo que aconteceu com o mundo do PC, em 1982 e 1983.

Opinião do Leitor [1 comentários]

Se aqui fosse a europa, mas...

Concordo com quase tudo que Bob falou e creio que estão no caminho do dinheiro, mas aqui no Brasil as coisas são diferentes. Ou alguém acha que as operadoras de telefonia investiram milhões, só na compra das frequencias de 3G, para dar internet de graça pra todo mundo. Alguém (usuário) vai pagar essa conta, e vai ser salgado. Aqui no Brasil e mesmo lá na europa tudo o que queremos é um celular que: a bateria dure pra caramba (hoje é ridídulo), que não trave nem perca ligações (os Simbian da Nokia travam) e que tenha uma tela grande. E não podemos esquecer que é impossível usufruir da 3G usando aquele teclado numérico minúsculo. No mínimo tem que ter um teclado qwerty completo. WiFi seria bom também, já com o skype instalado. Alguém já viu um celular assim? Simplesmente não existe. O mais perfeito que já vi a bateria durava um dia. Um dia, por um aparelho de 1600 Reais, dá licença, preciso trabalhar.
guigotav - 07 Fev 2008, 10h54
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