Telecom
Com SDK, iPhone agita o mercado móvel e sai na frente de concorrentes
Para o blogueiro Tom Yager, o kit de desenvolvimento de software da Apple para o iPhone e o iPod Touch deixa para trás a Nokia, Microsoft e Adobe.
Por Infoworld, EUA
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Oito meses atrás, a Apple não aparecia no espaço móvel.
Hoje, de acordo com a própria empresa, o iPhone é o segundo smartphone mais
popular do mercado, perdendo apenas para o BlackBerry.
Durante o lançamento do aparelho, foi exatamente isso o que Steve Jobs disse que estava por vir.
O que ele admitiu não ter previsto foi a reação do mercado à falta de um SDK –
kit de desenvolvimento de software – que daria suporte à produtos de terceiros
complementares ao iPhone.
A plataforma da Apple é hoje a única sem um suporte
customizado para aplicativos, e isso bloqueou a entrada da empresa em um
terreno em que a RIM nada de braçada. Isto também desestimulou os
desenvolvedores Mac que puseram a marca no mapa e a mantiveram lá com
aplicações nativas.
No próximo mês de junho, a Apple deve corrigir o erro. A Apple vai
começar a oferecer seu SDK para o iPhone e será que isso vai gerar a mais simples, melhor documentada e mais rica experiência para
desenvolvedores de aplicativos móveis?
Eu venho desenvolvendo aplicativos extenaivamente com as plataformas Symbian,
Windows Mobile e BlackBerry. O iPhone deixa todos eles para trás, me fazendo
rir de quem decidiu que o desenvolvimento de aplicativos móveis tem que ser
difícil. Aqui vai um conselho: se você é novo na área, o iPhone ou o iPod
Touch são ótimos para começar.
Não posso fazer justiça ao SDK do iPhone em um post, mas eu
posso citar alguns pontos. Para começar, os desenvolvedores não precisam usar
Objective-C, C ou C++ para escrever software para o iPhone. A Apple adicionou a
única coisa que eu tinha certeza que ela não adicionaria ao browser do aparelho
– o Safari – pavimentando o caminho para aplicativos desenvolvidos em
JavaScript, HTML e CSS que rodam mesmo quando a rede não está disponível.
Mais que isso, o JavaScript do iPhone não força os
programadores a usar arquivos de texto ou XML. Ele usa o SQL, completo com
transações. A Apple também colocou algo de flash no GUI do Safari com suporte
embutido para SVG (Scalable Vector Graphics) e animações, automáticas e
explícitas. A empresa também fornece código de aplicações Web que imitam o GUI
nativo do aparelho, permitindo que a aplicação possa rodar em toda a tela, sem
deixar sinal de que está rodando no browser. O suporte offline do iPhone é tão
robusto, que o vejo sendo portado para desktops no futuro.
Do lado nativo, nós sabemos agora que o sistema operacional
do iPhone é baseado no OS X 10.5, a.k.a. Leopard, e que a Apple contou com
desenvolvedores Mac. Suas habilidades, e seu conhecimento do código, foram
movidos para o aparelho móvel. Na verdade, há tantas similaridades entre o Mac
e o iPhone , que muito da aprendizagem do código para o aparelho está em se
familiarizar com o que não pode ser feito.
Por exemplo, as mesmas facilidades de apresentação, como o OpenGL e Quartz,
estão presentes nos dois equipamentos, mas o OpenGL do iPhone é uma versão
reduzida do OpenGL ES (Embedded Systems) e o Quartz é limitado a gráficos 2-D.
Mas é bom usar a palavra “limitado” com cuidado quando se fala sobre o SDK do
iPhone. O Quartz pode ser 2-D, mas ainda pode baixar, exibir, escalar, anotar e
salvar arquivos PDF. Seu telefone ou mp3 player fazem isso?
As aplicações nativas do iPhone têm acesso às APIs do padrão
POSIX C e outros como soquetes Berkeley para comunicação TCP/IP. Todos os
códigos de terceiros rodam em uma sandbox, o que significa que o sistema
operacional exerce forte controle sobre seu acesso ao sistema de ligações,
portas TCP, arquivos e outros recursos. Você não pode escrever um aplicativo
que dependa de arquivos de outros aplicativos. Você não pode desenvolver uma
caixa de e-mail customizada ou um servidor Telnet que usem as portas padrão TCP,
independente de o iPhone as estar utilizando.
Claro, não há caminho entre a sandbox e qualquer equipamento interno que você possa utilizar para mudar o telefone para uma operadora diferente. A sandbox é robusta o suficiente para enfrentar qualquer hacker, e a Apple a desenvolveu para permitir que qualquer aplicativo possa ser rastreado até seu criador. O metodo escolhido para registrar e certificar aplicações vai gerar polêmica, mas os usuários precisam saber que vão utilizar seus aparelhos em completa segurança.
Eu vou deixá-los com dois detalhes que colocam o iPhone
próximo dos melhores desenvolvedores: o display multitoque e o acelerômetro.
Ambos são acessíveis em código nativo, como o JavaScript. Gesto complexos de
toque, como pinçar, circular e arrastar são enviados ao software como eventos
que vão além dos básico toque. Para fazer o teclado aparecer, você não precisa
pedir por isso, você simplesmente move o foco para um arquivo de texto.
O acelerômetro foi desenvolvido para levar a Apple onde o Mac nunca esteve no mercado de games. O iPhone pode sentir orientações e movimentos em espaços 3-D. Quando você se move, ou qualquer outra coisa acontece com seu iPhone ou iPod Touch, um aplicativo pode saber sobre isso. As possibilidades são infinitas e podem-se ver no futuro sérias utilizações para este sensor 3-D. Ele é um controle intuitivo para processos complexos que hoje requerem dos operadores que esqueçam a natural percepção humana em 3-D em favor de controles 2-D, como botões, switches, mouse e joysticks.
Outros destaques do COMPUTERWORLD:
> É oficial: a Apple é a nova Microsoft
> Cinco razões para não adotar o sistema operacional Leopard
> Oito segredos que fazem da Apple a número um
> Apple supera expectativa no seu quarto trimestre de 2007
> Por que a Microsoft deveria temer a Apple
É meu trabalho panesar grande, mas os desenvolvedores certamente vão criar novas utilidades para o iPhone e para o iPod Touch. O principal interesse da Apple é abrir p iPhone para corporações que demandam aparelhos móveis que possam customizar suas necessidades. O SDK coloca a Apple lá e sua abordagem de desenvolvimento encheu o mercado com milhares de desenvolvedores prontos para criar sobre o telefone. Para criar o que precisam, estas empresas não terão de ir muito longe em busca de talentos. Até o final do ano, haverá um grande número de bons softwares para o iPhone e para o iPod Touch, e muitos deles a custo zero. Sobre tudo isso, a Apple vai hospedar todo um catálogo de softwares de terceiros.
Isto vai mudar o mundo? A Apple poderia dizer que o iPhone fez isso quando foi
lançado, mas eu discordo. Em junho, quando o firmware do iPhone for atualizado
para sua versão 2.0 e for aberto aos desenvolvedores, eu verei o aparelho que
esperava ser o iPhone. Ele vai transformar imediatamente a experiência de
consumidores de telefones e tocadores de música e isso vai alterar,
gradualmente, o horizonte comercial dos aparelhos móveis. Muito disso depende
de quão duro os concorrentes estarão trabalhando em seus SDKs e programas de
desenvolvimento.
Talvez algumas surpresas surjam durante a CTIA (Cellular
Telecommunications and Internet Association), conferência que está muito
próxima. Alguma coisa deve acontecer, porque Microsoft, Nokia e RIM não podem
permanecer paradas enquanto a Apple acumula fatias e mais fatias do mercado por
meio de seu catálogo de aplicativos e desenvolvimento.
Há eletricidade no ar. A Microsoft e a Nokia fecharam um acordo para utilização da plataforma Silverlight e a RIM vem anunciando atualizações substanciais em seu firmware, para manter fresca sua plataforma. Tudo isso é bom. Estas empresas precisam se mover porque, quando a Apple tiver seu catálogo online, usuários de outras plataformas vão começar a perguntar aos fabricantes de seus aparelhos porque eles não podem fazer o mesmo.
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