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Telecom

Com iPhone, Apple ganha espaço no mercado corporativo

Analistas dizem haver dúvidas de que os dois lados estejam prontos para estabelecer uma relação duradoura.

CIO (EUA)

14 de outubro de 2008 - 07h54
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Ao anunciar que o iPhone estava pronto para uso corporativo, o CEO da Apple, Steve Jobs, causou um frisson que poucos lendários homens de negócios conseguiram igualar. De operários a CEOs, parecia que todo mundo queria ter seus aplicativos corporativos no novo dispositivo. Mas porquê? Tratava-se da Apple, sinônimo de design moderno e admirado e antítese da velha e pesada tecnologia corporativa que deixa os olhos vermelhos e congela a tela do computador.

Porém, segundo alguns observadores de iniciativas da Apple e profissionais de TI evangelistas que usam Macs para negócio, a importância do anúncio vai além do iPhone em si. Eles acreditam que o iPhone poderá conduzir a uma nova era – a de uma Apple mais amigável com a corporação. E argumentam: esta mudança de paradigma poderá ser o ingrediente final do caldeirão que está sendo mexido por funcionários que se tornaram insatisfeitos com a tecnologia corporativa e, para suprir suas necessidades, recorreram a opções inovadoras na arena de consumo.

Alguns obstáculos à conversão de PCs para Macs nas empresas já existem há anos. Muitos departamentos de TI são agradecidos às decisões tomadas por seus predecessores nos anos 90, quando os PCs e o sistema operacional Microsoft Windows dominaram o mercado corporativo. As empresas planejavam tudo, de servidores back-end a software cliente, baseando-se em um framework Microsoft, observa Roger Kay, analista da EndPoint Technologies.

Integrar equipamento Mac e outros produtos da Apple a tal ambiente demanda tempo e dinheiro. Apesar dos problemas do software Microsoft, a maioria das empresas almeja compatibilidade com ele, admite Kay. “Elas já têm investimentos que querem utilizar.”

Mas uma migração para software baseado na web poderia suavizar a resistência de TI à integração, já que os usuários só precisam de um navegador para acessar seus aplicativos.

Os funcionários têm liderado este movimento. Em vez de usar o software sancionado pela corporação em suas workstations, muitos recorrem a tecnologias como wikis, blogs e redes sociais para colaborar em projetos horizontalmente, sem a ajuda ou a bênção de TI. Na pesquisa CIO Consumer Technology, os 311 decisores de TI entrevistados admitiram que quase 25% dos seus funcionários utilizam redes sociais para fins profissionais, enquanto 21% usam wikis e outros 17%, blogs.

Do ponto de vista do hardware, os Macs se tornaram a marca preferida de cada vez mais pessoas. A Apple forneceu 2,3 milhões de Macs no primeiro trimestre de 2008, o que equivaleu a um crescimento unitário de 44% e ajudou a Apple a obter um crescimento de receita de 47%, em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Mas a adoção de Macs e de software da Apple nas empresas ainda é lenta, talvez, em parte, por não ser altamente prioritária para a própria Apple.

É claro que a Apple faz negócios com empresas e tem uma equipe especializada em algumas de suas lojas, mas, indiscutivelmente, continua sendo uma companhia voltada ao consumidor. Os números comprovam isso. O iPod detém cerca de 70% do mercado de tocadores de MP3. A Apple vendeu 22,1 milhões de iPods no primeiro trimestre de 2008. Em média, um iPod tem sido vendido a cada 1,7 segundo nestes seus cinco anos e meio de existência.

Evangelistas que dirigem instalações Mac em pequenas e médias empresas dizem que suas experiências – não diferentes das vividas nas grandes empresas, como você poderia pensar – ainda demonstram os mais variados resultados para quem utiliza Apple no cenário corporativo.

Mudança por atacado
Shani Magosky, COO com responsabilidade por TI na Jaffe Associates, empresa de marketing e relações públicas com 25 funcionários, não precisou do iPhone para “abraçar” a Apple.

Magosky começou a observar Macs para sua empresa tradicionalmente baseada em PC e Windows no segundo semestre de 2006. Ela não estava necessariamente atraída por Bono cantando em um anúncio do iPod. Estava farta de ver PCs quebrando o tempo todo. E havia o choque de descobrir o quanto lhe custaria migrar para o software de colaboração SharePoint da Microsoft (e a tecnologia de servidor associada).

Especificamente, Magosky rodava uma versão antiga do servidor de terminal da Microsoft, que permitia aos seus funcionários (todos trabalhando remotamente, já que a Jaffe não tem um escritório central) conectar à rede e compartilhar arquivos. “Era desnecessariamente lenta e não confiável”, revela. “Acabamos gastando uma fortuna para diagnosticar problemas de TI.”

Com um servidor de terminal obsoleto, Magosky foi aconselhada a atualizar para o SharePoint. Computando a compra e a instalação do servidor, a aquisição das licenças de software e todo o suporte relacionado, Magosky gastaria US$100 mil.

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