Telecom
Universalização da web é discutida entre executivos do setor de telecomunicações
Alta carga tributária, evolução da cultura brasileira e iniciativas do governo são os principais desafios para a expansão da rede no País.
Por Tatiane Seoane, do COMPUTERWORLD
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Durante painel na Futurecom 2008, executivos de operadoras de telecom discutiram maneiras de garantir um acesso à web mais amplo para os brasileiros.
O tema gerou bastante polêmica por conta da carga tributária do País, apontada como principal fator que impede a expansão da rede.
“Não estou tão otimista quanto aos tributos”, disse João de Deus, diretor de planejamento da Oi. “O governo tem de deixar de tirar proveito das operadoras e começar a praticar medidas para reduzir a crise e possibilitar ofertas a menores custos”.
Além disso, existe também o aspecto sobre quais tipos de serviço e recursos devem ser oferecidos. Para o executivo da Oi, a universalização da banda larga tem de estar separada da massificação da internet. "Temos que garantir a qualidade do que é fornecido".
Segundo Eduardo Levy, consultor da Virtus, a internet oferecida no Brasil é avaliada como a quarta pior do mundo, atrás apenas de países como Chipre, Índia e México. Ainda de acordo com ele, apenas 7% da população que acessa a rede em banda larga possui velocidade de 1 mega.
Regulamentação
Antônio Bedran, conselheiro da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), ressaltou que para que a banda larga se torne uma realidade em todo o Brasil os serviços convergentes precisam ocorrer com mais afinco.
Já o gerente de desenvolvimento de novos negócios de soluções de redes da Motorola, José Geraldo, disse, porém, não confiar em iniciativas governamentais. Na opinião dele, existem apenas dois caminhos para promover a universalização da banda larga: detectar se existe ou não mercado para este setor.
Marcos Bafutto, diretor de regulamentação da Telefônica, apontou que até o fim deste ano serão somados 150 municípios no Estado de São Paulo onde não existe infra-estrutura com capacidade de transmissão de internet rápida.
A Anatel conta que ainda não há um projeto de lei para a universalização da banda larga. Segundo o executivo da Vivo Sérgio Santos, a expansão da rede, no momento, tem sido discutida apenas pelas operadoras que atuam no País.
Banda larga nas escolas
Em questão de demanda, João de Deus, da Oi, conta que a operadora prioriza as suas iniciativas em escolas públicas. Contudo, na opinião de Levy, antes que a internet alcance a rede pública, é necessário que o ensino seja também foco do governo. Ele lembrou que apenas 11% do total do orçamento da educação foram gastos no último ano.
Para Bedran, a oportunidade de universalizar banda larga no País existe, “desde cada um faça a sua parte, sem perspectiva de retorno e com o foco na evolução da cultura no País". Ponto este que também está na lista dos desafios enfrentados para a expansão da banda larga no território nacional.
A banda larga poderia chegar às áreas rurais do Brasil - por exemplo - da mesma maneira que a telefonia móvel chegou a estas regiões antes da telefonia fixa, segundo Sérgio Santos, diretor de estratégias da Vivo. “Contudo, para isto, as tarifas têm de ser menores”, disse.
Por isso, analisar qual a necessidade de aplicar a banda larga nos municípios que não possuem acesso à rede também ainda é discutida pelas partes envolvidas neste tema, segundo Bafutto da Telefônica. O executivo explica que não é necessário, por exemplo, oferecer a melhor velocidade, 24 horas por dia. “Antes de saber o que oferecer, devem existir programas específicos para treinar a população”.
Neste sentido, Geraldo reforça ainda que não se deve discutir apenas a regulamentação da universalização da banda larga, considerando também as diversas tecnologias disponíveis para que ela ocorra como WiMax, 3G, 4G, fibra e cabo.
Geraldo Araújo, consultor da Accenture, fecha o painel declarando que o setor “peca” porque não existe o interesse no País e sim, em subsídios.
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