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Análise: Alcatel-Lucent, Motorola e Huawei são as mais beneficiadas por concordata da Nortel

Para especialista da ABI Research, fornecedores de CDMA que sobreviverem terão boa oportunidade com upgrade de redes na China.

Por Fabiana Monte, do COMPUTERWORLD

14 de janeiro de 2009 - 18h21
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O pedido de concordata da Nortel, anunciado nesta quarta-feira (14/01), não foi recebido com surpresa por Nadine Manjaro, analista sênior da consultoria ABI Research. Para a especialista, fabricantes de equipamentos CDMA, como Alcatel-Lucent, Motorola e Huawei serão os principais beneficiados pelo anúncio, embora eles também estejam vivendo tempos difíceis.

"Aqueles que sobreviverem ganharão com a reestruturação do mercado chinês de telecomunicações, que planeja investimentos superiores a 11 bilhões de dólares no upgrade da rede CDMA", prevê Nadine, em entrevista por e-mail ao COMPUTERWORLD.

De acordo com a consultoria, a Nortel vinha obtendo um desempenho ruim há alguns trimestres devido à quedas em seu negócio CDMA, uma das principais fontes de receita da empresa. Além disso, boa parte das operadoras de telefonia da América do Norte (maior mercado da companhia canadense) já lançou suas redes 3G e optou por tecnologias como LTE e WiMAX para a migração para o 4G. E a Nortel não é forte na oferta dessas tecnologias, segundo a ABI Research.

"O mercado de infra-estrutura é muito competitivo e os players fracos vão cair. Mais de 40% do negócio da Nortel estavam no segmento de operadoras e a maior parte se concentrava na América do Norte", afirmou Nadine, em entrevista por e-mail ao COMPUTERWORLD.

Há dois anos, a fabricante de equipamentos de telecomuicações deu início a uma reorganização em seus negócios, com o objetivo de conquistar, novamente, relevância. A estratégia era focar em convergência, serviços e comunicações unificadas, além de transformar seu negócio de soluções corporativas.

No fim de outubro, logo após anunciar Carlos Britto como novo presidente da operação brasileira, a Nortel declarou seu interesse em "diminuir a dependência das carriers". Na ocasião, o executivo informou que as operadoras de telecomunicações respondiam por 75% da receita mundial da fabricante e o mercado corporativo por 25%.

A estratégia da Nortel em focar seu portifólio nas áreas de soluções corporativas e aplicações multimídia, cuja expectativa de crescimento é de, respectivamente, 12% e 8% ao ano até 2011, pode ter sido tomada com um pouco de atraso, para a ABI Research.

Apesar disso, a expectativa de Nadine é que a fabricante canadense sobreviva à crise, mas passe a ocupar um lugar de relevância no mercado corporativo, e não mais como fornecedor das operadoras de telecomunicações.

"A Nortel pode fazer parcerias com operadoras para oferecer serviços empresariais, um segmento que vem apresentando um crescimento muito mais forte. A empresa é vista como líder nesse setor e acertará ao focar em equipamentos e serviços para o mercado corporativo, como comunicações unificadas e telepresença", disse a analista.

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