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Por que a Telefônica tem enfrentado tantos problemas técnicos?

São Paulo - Com a pane desta semana do Speedy, são três falhas em quase um ano. Especialistas dizem que falta de investimento e excessiva terceirização podem ser a razão.

Por Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD

20 de maio de 2009 - 20h20
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Em julho, o “apagão” do Speedy, serviço de acesso à internet em banda larga da Telefônica, completa um ano. A pane que deixou boa parte do Estado de São Paulo sem acesso à web por 30 horas, ao que tudo indica, não foi uma exceção na rotina da principal operadora de telefonia da região mais rica do Brasil.

Em menos de um ano, a empresa sofreu um incêndio em seu data center e duas outras interrupções ou instabilidades na oferta do Speedy – a mais recente na segunda-feira desta semana.

O ex-diretor da Telesp, ex-presidente da Lucent e da operadora Vésper e que atualmente atua como consultor de telecomunicações, Virgílio Freire, afirma que a primeira coisa a chamar a atenção é a freqüência com que o Speedy vem sofrendo interrupções.

É consenso entre especialistas ouvidos por COMPUTERWORLD que as falhas na operação da Telefônica têm como origem um conjunto de fatores, mas no cerne da questão está a falta de investimento da empresa em sua infraestrutura e na qualificação de pessoal.

Leia mais:

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- Como são os serviços de banda larga fora das capitais

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Procurada, a concessionária informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o comentário que faria sobre o assunto seria o mesmo divulgado por meio de nota à imprensa nesta terça-feira (19/05), na qual dizia não ter registrado novos problemas com o Speedy desde 23h40 de segunda-feira.

“A Telefônica não investe em rede em prol da redução de custos e de aumento de caixa. A área de controle de gestão manda na Telefônica”, diz um executivo do setor que conhece a operação da operadora e não quis ser identificado.

Menor preço
Um exemplo desse modelo de administração, afirma Virgílio Freire, é a “mesa de compras”, um mecanismo usado pela operadora para realizar a aquisição de produtos e serviços. Dessa forma, a contratação de um fornecedor leva em consideração, exclusivamente, o critério de menor preço. Além disso, parte da remuneração dos operadores da “mesa de compras” varia em função da redução de preço que eles conseguirem negociar com a empresa que já ofereceu o menor valor.

Isso faz, de acordo com Freire, com que os fornecedores empreguem profissionais menos qualificados e ofereçam produtos com menor robustez e redundância do que o necessário para operar em uma rede do porte da mantida pela Telefônica.

Aliado a isso, soma-se o processo de terceirização implantado na operadora, com milhares de postos, cuja avaliação se dá em função de número de atendimentos feitos e não de reparos realizados. “Às vezes, os técnicos fecham o chamado sem ter feito o atendimento”, conta um especialista.

Segundo Freire, a Telefônica terceirizou, inclusive, processos de manutenção e operação de equipamentos, seguindo a lógica da “mesa de compras” e do menor preço. “É como se uma empresa de aviação terceirizasse seus pilotos”, diz.

A cultura de obter o maior lucro também leva a operadora a esperar até o último minuto para ampliar a capacidade de sua rede. De acordo com outro executivo de setor, que também conhece a operação da Telefônica, quando houve a primeira pane do Speedy que veio a público, os roteadores de borda da empresa estavam operando com 90% de sua capacidade máxima.

Ele relata que a orientação do mercado é expandir a capacidade dos equipamentos quando a operação chega a 70%. “O pessoal de infraestrutura da Telefônica disse: ‘Deixa chegar a 90% e vamos ampliar a rede’. Essa recomendação técnica é temerária”, afirma.

Outro executivo, que também preferiu não se identificar, reitera que a empresa opera com roteadores de borda, aqueles que se encontram nas extremidades da conexão, próximos ou acima limite. No caso da falha do equipamento situado em Sorocaba, este não foi o único aspecto que levou à pane do Speedy.

De acordo com ele, houve também imperícia no treinamento e qualificação de mão-de-obra. A migração da rede de telefonia tradicional para a tecnologia Internet Protocol (IP) é um processo complexo e a rápida adesão dos usuários à internet faz com que as empresas tenham que demonstrar agilidade neste processo de migração.

“A lógica passa de hardware para software”, explica. “Todos os engenheiros da Telefônica têm formação muito orientada a hardware, só que um roteador hoje é 90% software”, concorda outro executivo.

Cerca de um ano antes do episódio de Sorocaba, o serviço de banda larga da Telefônica viveu um incidente equivalente, mas que não teve a mesma repercussão porque sua duração foi menor. “O pessoal não conhecia a tecnologia IP. Ficava procurando o cabo e não o software”, conta o entrevistado.

Na ocasião, a empresa realizou uma auditoria interna e identificou 30 ações que deveriam ser tomadas para solucionar o problema. Para o executivo, a repetição do fato, em Sorocaba, mostra que a Telefônica não tomou essa medidas. “Só a falha do roteador não explica o que aconteceu. Isso mostra que as ações não foram tomadas como o previsto”.

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Opinião do Leitor [28 comentários]

E a Oi trabalha do mesmo jeito!!! pt3

Então como é possível tudo isso em Londres e aqui no Brasil não, sendo que usamos a mesma tecnologia??

Como é que eu consigo falar no celular dele em LONDRES ligando do Skype aqui no Brasil GRATUITAMENTE???
É que o trafego de audio é tão ridiculo, que eles nem cobram ... agora se cobramos aqui no Brasil, qual é a desculpa pra não investir ??? Caixa com certeza não é ....

Então, como veículo de comunicação por favor apurem isso pra gente e mandem mais uma reportagem no nível dessa que na minha opinião matou a pau!!

Um abraço!
joao - 22 Set 2009, 21h23

E a Oi trabalha do mesmo jeito!!! pt2

Então deixo como sugestão a equipe da ComputerWorld, uma reportagem que possam responder as perguntas:

1) A Anatel realmente é eficiente e cumpre o papel esperado?

2) O que é feito com essa mega arrecadação das empresas de telecom? Existe um cartel nesse mercado, tendo em vista o preço praticado no exterior? E o que a Anatel faz a respeito disso? Qual o posicionamento do Cade a respeito

3) Aumentar a participação de mercado das telecons com mega fusões do tipo OI/BRT resolve alguma coisa nos quesitos qualidade e preço? (Porque no quesito demissões, ao contrário do que o Falco disse na camara, aumentou um bocado!!!)

4) Valeu a pena privatizar? A revolução tecnológica esperada pelo governo deu com os burros n'agua ? O serviço que temos hoje é realmente de "ponta" pelo preço que pagamos?

Pra fechar um comentário... tenho um amigo que mora em Londres e tem acesso a internet 6mb+telefone celular (com uma franquia de minutos)+ mais de 100 canais de tv a cabo+telefone fixo(com uma franquia de minutos) pelo equivalente a R$ 160!!!!!!
E tem mais ... o celular dele aceita ligações pelo skype!! E outra .. não é SKYPE OUT é de graça MESMO!
joao - 22 Set 2009, 21h23

E a Oi trabalha do mesmo jeito!!!

Esse modelo administrativo tem como ponto de equilíbrio o serviço mais porco possível vs o menor número de reclamações ... e é adotado pela Oi tbém (já trabalhei lá e sei como é), o que nos leva a pensar:
* Qual o nível de controle que a Anatel tem já que tem que chegar a esse extremo para tomar alguma atitude? Ela não consegue antecipar isso? Onde estão as "auditorias" ?
* Se o preço praticado aqui no Brasil é absurdamente maior do que o no exterior (li em uma reportagem de 2005 que no Japão 1 Mb custa R$ 1,81!!!) logo, as operadoras estão com MUUUUUITA sobra de caixa, sendo assim além dos bolsos cheios a nossa tecnologia tinha que estar além do nível do Japão, e ainda sobra um bocado pros acionistas das operadoras rirem a toa, não?
joao - 22 Set 2009, 21h21
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