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Setor de telecom tem déficit de formação profissional

São Paulo - Operadoras e prestadores de serviço firmam parcerias com instituições de ensino para qualificar funcionários em novas tecnologias.

Por Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD

22 de junho de 2009 - 07h00
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A nova arquitetura de redes de telecomunicações baseada no protocolo internet (IP) exige que profissionais da área busquem novos conhecimentos e qualificação. A Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Telecomunicações e Informática (Abeprest), que reúne empresas que prestam serviços para as operadoras, estima que existam 35 mil profissionais com carência de formação sobre IP no Brasil. De acordo com a associação, o setor de telecom encerrou 2008 com 200 mil empregos formais.

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Operadoras e prestadoras de serviço reconhecem essa necessidade e vêm investindo no treinamento de suas equipes. A Telefônica calcula 15 mil horas de aulas entre maio de 2008 e maio de 2009, com o equivalente a 1.211 participações - não necessariamente de diferentes profissionais.

A Oi, que mantém parcerias com o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o centro de pesquisa e ensino em engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para treinar seus funcionários, contabiliza entre 200 e 300 pessoas que passaram por todos os cursos, desde agosto do ano passado.

"Não abandonamos o modelo tradicional, mas a gente saiu um pouco da opção que ficava muito amarrada ao portifólio de treinamento dos fornecedores. Como viemos de uma estratégia de expansão, com diversidade de tecnologias e fornecedores, precisamos customizar esse treinamento", diz Andréa Krug, diretora de desenvolvimento da Oi.

As parcerias com o Coppe e o Inatel garantem formação em caráter de pós-graduação. No primeiro caso, trata-se de um curso de especialização em Sistemas de Telecomunicações e Especialização em Tecnologia da Informação, oferecido em tumas fechadas para a Oi. 

No caso do Inatel, a experiência teve inicio em agosto do ano passado, com a oferta de uma pós-graduação em Engenharia de Rede e Sistema de Telecomunicações para profissionais selecionados no mercado. Os melhores colocados foram contratados pela Oi. Atualmente, a instituição está oferecendo cursos sobre TCP/IP na empresa, totalizando 15 turmas no módulo básico, com visão geral da tecnologia, e outras seis no avançado, que inclui aulas práticas.

Já o acordo com o Senac teve início no final de 2008, como um processo de certificações profissionais IP. Com o tempo, o projeto está sendo transformado em uma "Academia IP", com cursos básicos, intermediários e avançados customizados para as necessidades da companhia.

Daniel Marson Guedes, coordenador de desenvolvimento em redes e infraestrutura de tecnologia da informação do Senac São Paulo, estima que em um ano a procura por cursos sobre tecnologias IP da instituição cresceu aproximadamente 20%.

Aproximadamente 1.100 alunos participam dos cursos do Senac por ano, entre os dez treinamentos focados em certificações profissionais e os corporativos, oferecidos exclusivamente para turmas fechadas de empresas. Segundo Guedes, há demanda tanto por pessoas que procuram a instituição por conta própria, quanto por parte das operadoras. "Na maioria dos casos é a empresa quem paga", avalia.

A Abeprest está em vias de formalizar uma parceria com o Senac do Rio de Janeiro para oferecer treinamento a distância para profissionais de telecomunicações. A ideia surgiu a partir da identificação de que funcionários de prestadores de serviço e operadoras precisavam de atualização.

O curso terá de oito a dez módulos, com cargas horárias diversas, enquanto o programa completo está em discussão. "A iniciativa vai massificar esse conhecimento para dar mais velocidade na habilitação da mão-de-obra nas atividades demandadas pelo avanço da tecnologia", explica Helio Bampi, diretor de relações institucionais da associação.

O Inatel oferece 17 cursos de extensão na área de rede de computadores, além de outros sobre sistemas de telecomunicações. Andre Abadi, gerente de educação continuada da instituição, reforça o coro de que o setor de telecomunicações carece de mão-de-obra especializada e que há três anos o Inatel notou o aumento na demanda por seus cursos sobre IP.

"Dentro deste mundo você tem cada vez menos o engenheiro e o analista de tecnologia da informação. Essas coisas se misturam", avalia Andréa. "Há uma mudança de paradigma e na forma de fazer negócios em telecom. Agora, o profissional não é mais apenas de telecom, é de redes de comunicação", finaliza Guedes.

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