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Telecom
Aumento da importação de celular preocupa fabricantes locais
Compras de terminais de outros países cresceram 111% no primeiro semestre, revela balanço da Abinee. Já a exportações desse produto fecharam com queda de 48%.
Edileuza Soares, da Computerworld
Os negócios com importação de celulares no Brasil aumentaram 111% no primeiro semestre de 2011, preocupando as fabricantes nacionais. Os dados são do balanço divulgado nesta quinta-feira, (9/8), pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Segundo dados da entidade, as compras de celulares importados no Brasil saltaram movimentaram 490 milhões de dólares no primeiro semestre, ante 232 milhões de dólares registrados no mesmo período no ano passado, causando um desequilíbrio das exportações que fecharam com receita de 275 milhões de dólares, 48% menos que os 535 milhões de dólares reportados no primeiro semestre de 2010.
Em volumes de unidades, as importações de celulares chegaram a 7 milhões de unidades no primeiro semestre, três vezes mais que os 2 milhões de terminais registrados no mesmo período do ano passado.
O economista da Abinee, Luiz Cezar Rochel, informa que um dos motivos para o aumento da procura pelo celular importado é o preço competitivo dos aparelhos. Segundo ele, há casos de smartphones que entram no Brasil custando 15 dólares. São aparelhos fabricados na China que acessam internet, têm capacidade para dois chips e que também servem para falar.
O presidente da Abinee, Humberto Barbato, diz que fica difícil para a indústria nacional competir com esses terminais. Mas ele aponta que há outros fatores que estão prejudicando as fabricantes nacionais no mercado local e externo.
Sobre a queda das exportações de celulares brasileiros, Barbato menciona a política industrial agressiva de países vizinhos da América Latina. Ele cita como exemplo o caso da Argentina e Venezuela que reforçaram a fabricação local desses produtos e que reduziram os pedidos do Brasil.
Barbato avalia que falta de ações mais agressivas do governo brasileiro para criar um ambiente de negócios mais favorável para a indústria brasileira. Ele diz que não é só o problema cambial que está prejudicando o setor.
“O fenômeno da desindustrialização está corroendo o setor. Precisamos de mudanças”, diz o presidente da Abinee, mencionando a necessidade de reforma tributária, melhoria da infraestrutura de logística (aeroportos e portos) e redução de custos de produção.
Com esses fatores, Barbato afirma que o Brazil não está conseguindo exportar nem para a América Latina, hoje considerada um dos maiores mercados mundiais, só perdendo para a China.
“Não estamos conseguindo por os nossos produtos no quintal [na América Latina] por causa da desindustrialização”, afirma o executivo que se diz cansado de reivindicar medidas ao governo federal para preservar a indústria nacional.
O vice-presidente da Abinee, Aluizio Byrro, que também é chairman da Nokia Siemens, complementa que essa situação reduz o interesse de fabricantes internacionais de montarem fábrica no Brasil.
“A Siemens não consegue fazer investimentos aqui para ganhar crescimento de apenas 8%”, diz ele se referindo às projeções de faturamento do setor para 2011. A Abinee estima que esse será o índice de aumento dos negócios do setor para este ano, estimados em 134,8 milhões de reais, contra 124,3 milhões em 2010.
No primeiro semestre de 2011, a Abinee revela que o setor cresceu 11%, mas empresários acham que os resultados poderiam ser melhores. Representantes do setor culpam além de problemas com o câmbio, a falta de ações do governo federal para criação de ambiente mais favorável no Brasil e a competição com os produtos importados.






