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Telecom
Venda de celular importado no Brasil sobe mais de 100% em 2011
Segundo a Abinee, foram importados este ano 15 milhões de terminais, mais que o dobro dos 7 milhões, registrados em 2010.
Edileuza Soares, da Computerwold
Os brasileiros estão consumindo mais celulares importados. As vendas desses produtos mais que dobraram em 2011 e alcançaram 15 milhões de unidades, ante os 7 milhões de terminais comercializados em 2010, representando aumento de mais de 100%. No total de vendas de 64 milhões de aparelhos estimados para este ano, os importados representam mais de 20% da fatia do bolo.
Esses dispositivos vão movimentar este ano um bilhão de dólares, revela a pesquisa “Comportamento da Indústria Elétrica e Eletrônica – Ano 2011 e projeções para 2012”, divulgada na manhã desta quinta-feira (08/12), pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Com o avanço das importações de celulares, as exportações dos terminais da indústria brasileira reduziram quase pela metade e caíram de 13 milhões de unidades em 2010 para 7 milhões em 2011.
Para o economista, Luiz Cesar Elias Rochel, o principal fator para aumento das importações de celulares no Brasil é o preço agressivo, principalmente de indústrias asiáticas.
“Hoje, é possível encontrar celular importado entre 10 dólares e 15 dólares”, constata o economista, reconhecendo que o preço baixo desses terminais é um problema enorme para a indústria local, que não consegue ser tão competitiva quanto os concorrentes do mercado externo. Segundo ele, esse preço está completamente fora da realidade do País, considerando o alto custo do Brasil.
A indústria também está sendo impactada pela importação de equipamentos de telecomunicações, que cresceu 35% em 2011. As operações nessa área subiram de 2,8 milhões de dólares para 3,8 milhões de dólares em 2011.
Já as exportações de produtos de telecomunicações caíram 19% em 2011. As vendas no mercado externo vão fechar o ano com negócios da ordem de 1 milhão de dólares, bem menos que o 1,3 milhão de dólares movimentados em 2010.
As importações de equipamentos de informática também cresceram 12%. Os dados da Abinee mostram que outros produtos como semicondutores e máquinas para processamento de dados estão com volume crescente de importação.
O presidente da Abinee, Humberto Barbato, diz estar muito preocupado com esse problema que está reduzindo a competitividade da indústria nacional. Ele diz que as empresas locais estão sendo bastante prejudicadas pela taxa cambial. Porém, como esse é uma situação difícil de ser resolvida, ele reivindicou medidas dos governo para reduzir os custos do Brasil e oferecer um ambiente mais favorável para negócios.
Barbato constata que muitas empresas que estão no País estão desnacionalizando produtos e recorrendo aos importados por serem mais baratos. Esse fator até gera vendas no Brasil, mas reduz o número de empregos, já que há o risco de desindustrialização.
A Abinee espera que o governo brasileiro ofereça medidas compensatórias para fazer frente à desvalorização cambial. Entre as quais reivindica desoneração de tributos, encerramento randômico dos pregões eletrônicos e elevação de 60% para 75% do índice de nacionalização nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).




