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Telecomunicações

O paradoxo dos grandes grupos

Apesar da convergência parecer a evolução natural aos grandes conglomerados, os desafios para a integração dos serviços são, muitas vezes, bem mais complexos quando estão debaixo do mesmo teto.

Por Ana Paula Oliveira

02 de novembro de 2005 - 08h00
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É impossível pensar em telecomunicações no Brasil e na América Latina sem levar em conta os dois maiores grupos do continente. De um lado, os mexicanos da Telmex, que também controlam a América Móvil, e de outro, os espanhóis da Telefônica e da Telefônica Móviles, que no Brasil contam com a parceira da Portugal Telecom na operação da Vivo.

Com supremacia maciça na região, esses grupos possuem operações em quase todos os países, com exceção da Bolívia, das Guianas, Venezuela (onde a América Móvil não possui presença) e Paraguai (onde a Telefônica Móviles não atua). No Brasil, o cenário não é diferente. Enquanto os mexicanos controlam a Embratel, a Claro, a NET, a Telmex (antiga AT&T) e a PrimeSys, recém adquirida da Portugal Telecom, os espanhóis contam com a Telefônica, Atento, Telefônica Empresas, o portal Terra e 50% da Vivo.

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Na visão de muitos analistas, essa variedade de serviços é um dos grandes requisitos para o sonhado futuro convergente, no qual voz, dados, internet, imagem e som chegarão aos usuários, tanto residenciais quanto corporativos, por uma interface única, de forma transparente. Seguindo esse raciocínio, a capilaridade desses dois grupos é um trunfo garantido de que eles serão, se não os pioneiros, pelo menos os líderes na oferta de serviços integrados, certo? Errado, pelo menos por enquanto.

No caso da Telmex, toda a agitação esperada depois da compra da Embratel não deixou de ser expectativa. Ao que tudo indica, a reestruturação da operadora, que gerou receitas de quase 10 bilhões de reais no ano passado, acabou levando mais tempo do que o previsto. Afinal, todo cuidado é pouco na hora de mudar os serviços, principalmente os de voz, responsáveis por 70% do faturamento. Prova disso é a NET, que havia anunciado a oferta de serviços de voz sobre IP (VoIP) até dezembro deste ano mas voltou atrás em sua decisão. Mais: desmentiu a estratégia, alegando que voz é assunto tratado apenas pela Embratel e não é foco da operadora de TV a cabo e internet em banda larga.

Mesmo sendo empresas de um mesmo grupo, o que se observa, no caso dos mexicanos, é que antes da convergência, o objetivo é manter a lucratividade de cada unidade, com cuidado para evitar a canibalização dos serviços. Com ativos tão grandes como esses, envolvendo milhões de usuários residenciais e corporativos, não é fácil pensar em uma solução integrada que garanta todas as margens e agrade a todos. “Eles não vão poder ficar esperando muito tempo, porque as locais já estão adiantadas. O investimento foi alto e eles não podem ficar com o capital parado, com essa concorrência acirrada”, avalia Arthur Barrionuevo Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas.

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