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Telecomunicações

Empresas de VoIP no celular incomodarão teles

A briga está comprada: a Maskina veio à 3GSM divulgar seu serviço de ligações IP via telefone celular, o que deve resultar na migração de receitas das operadoras para a empresa norueguesa

Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD, em Barcelona (Espanha)

16 de fevereiro de 2006 - 12h30
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Ainda que a trilha aberta indique o caminho para o sucesso, e seu produto tenha todas as características que atraem ao usuário de telefones celulares, a briga comprada pela norueguesa Maskina pode ser um obstáculo em sua trajetória de crescimento.

É que o produto da empresa, se adotado em larga escala, tomará boa parte da receita da teles. A companhia desenvolveu uma ferramenta que habilita um telefone celular a fazer chamadas utilizando o protocolo de internet. As populares chamadas VoIP.

Tradicionalmente, a tecnologia VoIP, que ganha adeptos dia após dia, permite ligações sem custo extra - além daquele já pago pela conexão à internet - entre computadores ou telefones IP. Isso significa que são necessários equipamentos com essa capacidade em ambas as extremidades. Com a tecnologia Maskina, porém, basta ao usuário possuir um smartphone. A partir do momento em que o software é ativado no celular, os dados da chamada são enviados por GPRS e então, a operadora deixa de ganhar com a ligação.

Jan C. Berger, diretor de vendas da Maskina, explica ainda que, caso o usuário esteja em uma área em que pagaria roaming para utilizar o celular, ele pode enviar um código para a pessoa a quem quer telefonar solicitando que ela faça a ligação para um número local, que não paga para receber chamadas. Ainda que seja uma linha fixa, o usuário que efetua o telefonema também não paga nada, e o valor da ligação - completada sobre IP - é descontado dos créditos do aparelho que usa a ferramenta da Maskina.

"As operadoras nos odeiam, mas nossos serviços proporcionam uma economia e tanto ao usuário", diz Berger, detalhando que a redução de custo pode chegar a 70% em relação ao cobrado pelas operadoras tradicionais. O executivo enxerga no Brasil boas oportunidades de negócios e diz trará,  em breve o seu produto para o País.

Ainda na linha de poupar gastos à pessoa chamada, a Ptito, esta de menor porte, também presente no 3GSM, lançou o produto homônimo para que o usuário chamado não seja cobrado ao retornar uma ligação à que não tenha atendido.

Oferecido ainda somente ao mercado europeu, o Ptito dispara uma mensagem personalizada pedindo que a pessoa chamada retorne a ligação gratuitamente. Isso é feito a partir de um link enviado via SMS - basta clicar sobre ele na mensagem e retorno gratuito à ligação é iniciado. "É como um Wap-Push, em que o usuário recebe o SMS com um link e tem a opção de clicar ou não sobre ele", explica Jon Verspaget, diretor da Ptito.

Nesse caso, porém, se a moda pegar, uma vez que as operadoras aderirem à ferramenta em grande escala, ninguém sairá perdendo, já que, ao mesmo tempo em que toma a receita de uma operadora, amplia o faturamento da outra.

Resta saber qual será a aceitação - ou a intensidade da fúria - despertada nas grandes operadoras por esses novos modelos de serviços.

*A repórter Fernanda K. Ângelo viajou para Barcelona a convite da VeriSign.

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